País
Recolha porta-a-porta de resíduos elétricos cresce 34% em 2025 e retira mais de 600 toneladas das ruas
A Electrão volta a destacar a utilidade do serviço de recolha porta-a-porta de grandes eletrodomésticos. Uma função que liberta toneladas de lixo elétrico e eletrónico das ruas. De outra forma, contaminaria o território quer visualmente, que ambientalmente.
Desta forma a Electrão assinalou, em 2025, cinco anos de atividade com um resultado expressivo: um crescimento de 34 por cento face ao ano anterior, passando de 457 toneladas recolhidas em 2024 para mais de 613 toneladas no último ano.
O projeto, totalmente gratuito para os cidadãos, arrancou como piloto em 2021 e é atualmente uma operação consolidada em 12 municípios.
O projeto, totalmente gratuito para os cidadãos, arrancou como piloto em 2021 e é atualmente uma operação consolidada em 12 municípios.
Criado para facilitar a entrega de grandes equipamentos elétricos em fim de vida, por qualquer cidadão, o serviço foi inicialmente testado em algumas freguesias de Lisboa, mas rapidamente ganhou escala.
Atualmente abrange Almada, Moita, Palmela, Seixal, Lisboa, Amadora, Loures, Odivelas, Sintra, Mafra, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras — uma cobertura que deverá continuar a alargar-se a outras zonas do país.
Em cinco anos, o serviço já permitiu retirar mais de 1.300 toneladas de resíduos elétricos da via pública e garantir o seu tratamento adequado, como refere Ricardo Furtado, diretor‑geral de Elétricos e Pilhas do Electrão: “Ao longo de cinco anos, conseguimos retirar mais de 1.365 toneladas de resíduos elétricos das nossas ruas e garantir o seu tratamento adequado. É um contributo essencial para a economia circular e, sobretudo, para simplificar a vida de quem quer reciclar corretamente”.
Perante a eficácia desta operação surgiu uma distinção pública, dada a conhecer na 3ª edição da Consumer Choice, o porta-a-porta da Electrão conquistou o prémio “Escolha Sustentável”, na categoria de recolha. A vitória resultou de 2.226 avaliações de consumidores e especialistas, que destacaram o contributo ambiental, social e económico do modelo.
A distinção reforça o posicionamento do Electrão como referência na gestão de resíduos elétricos e como alternativa segura ao abandono de equipamentos na via pública ou ao desvio para circuitos informais.
Imagem: Electrão@Facebook
O serviço foi desenhado para eliminar barreiras logísticas e incentivar a reciclagem responsável.
Para agendar uma recolha, basta que o cidadão tenha pelo menos um eletrodoméstico volumoso para entrega. No momento da recolha, é ainda possível entregar equipamentos de menor dimensão, como telemóveis, lâmpadas e pilhas usadas.
Créditos imagem: Electrão
A equipa desloca-se ao local, previamente estabelecido entre o cidadão e a equipa de recolha, e procede à remoção e encaminhamento do equipamento para reciclagem, sem qualquer custo (o serviço pode ser solicitado através da linha do Electrão 800 262 333 ou via câmaras municipais aderentes.)
Créditos imagem: Electrão
A importância de travar o mercado paralelo
Além de facilitar a vida dos utilizadores, o projeto desempenha um papel determinante na redução do chamado “mercado paralelo”: equipamentos abandonados que acabam recolhidos por operadores informais, sem garantia de tratamento seguro.
Apesar do crescimento expressivo do serviço porta‑a‑porta do Electrão, os hábitos de separação de resíduos dos portugueses continuam muito aquém do necessário.
A reportagem da RTP “Atrasados ambientais — campanha quer Portugal a acelerar mudança de comportamentos na reciclagem” mostra que o país corre o risco de falhar várias metas europeias por deficiente separação na origem, sobretudo no que diz respeito aos resíduos urbanos, onde a taxa de reciclagem continua abaixo da média europeia.
• A taxa de reciclagem de resíduos urbanos ronda apenas os 30%, muito abaixo da média da União Europeia, que se aproxima dos 50%;
• Mais de metade dos resíduos urbanos continuam a ir para aterro (cerca de 59%), com vários desses aterros a aproximarem‑se do limite de capacidade, o que agrava a urgência de melhorias na separação e na gestão de resíduos;
• Portugal arrisca ainda falhar a meta europeia de reciclagem de embalagens para 2025 (65%), estando previsto fechar o ano com cerca de 61%, segundo projeções apresentadas na mesma reportagem.
Este panorama demonstra que, se não existissem programas estruturantes como o serviço porta‑a‑porta de grandes eletrodomésticos, a situação poderia ser mais grave.
O projeto Electrão funciona como um contrapeso essencial num país onde a separação doméstica ainda é insuficiente e onde muitos equipamentos continuam a ser deixados na via pública ou desviados para circuitos informais.
Foto: Unsplach
A combinação entre a falta de hábitos de separação, apontada na reportagem, e os dados recentes sobre o atraso nacional reforça a importância de iniciativas que removem obstáculos ao cidadão.
O porta‑a‑porta evita o abandono, combate o mercado paralelo e garante que toneladas de resíduos elétricos entram nos circuitos oficiais — algo particularmente relevante num contexto nacional em que Portugal continua a ser, como descreve a campanha do Electrão, um país de “atrasados ambientais”.